Luiz Lpoes Sobrinho



          Nascido em Ipiranga em 15 de janeiro de 1905, fez em Floriano o Curso Secundário (Colégio 24 de Janeiro) e o Seminário no Santo Antônio, em Teresina e em São Luís. Mas não seguiu a carreira religiosa, abandonando a batina para casar-se em 1930. Em 1931 compôs a primeira turma fundadora da Faculdade de Direito do Piauí, bacharelando-se em 1936, quando começou a carreira de magistrado. Passou pelas comarcas de São Pedro, Bom Jesus, Amarante e Parnaíba, de onde voltou, transferido, para Teresina. Aposentou-se em 1966 como desembargador do Egrégio Tribunal de Justiça do Piauí. Lírico, de um lirismo envolvente e doce, sua poesia é parnasiana por excelência. É, sem sombra de dúvidas, um dos maiores poetas do Piauí. Faleceu em 1984.

          Obras: Vozes da Terra (1980).


Ciúmes
O Amor
Cadê o Dinheiro?!




Não é que o amor que nos meus olhos vista,
Tão cheio de ternura, ardendo cm chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,

Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!

E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença - agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,

É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!

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O Amor

Sem amor, este mundo é um exílio!
Sem amor, nosso lar é uma prisão!
Sem amor, não há mãe e nem há filho!
Sem amor, não nos pulsa o coração!

Sem amor, não há paz nem alegria!
Sem amor, tudo, enfim, é solitário!
Sem amor, os tormentos de um só dia
São iguais aos tormentos do Calvário!

Ai! o amor não traz só felicidade!
Também traz, o amor, imensas dores,
Dessas dores que nascem da saudade!

Mas, é muito melhor ser desgraçado,
Sofrer do próprio amor os dissabores,
Que ser feliz e nunca ter amado!

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Cadê o Dinheiro?!

Seu doutor Secretário das Finanças,
onde foi que o dinheiro se escondeu?
Será que o Estado já se fez judeu,
Também vive de usuras e de lambanças?

Mortas se vão as nossas esperanças.
- Nossas não! pois vossência não sofreu
A fome e o desespero, como eu,
Sem, nunca, ter um dia de bonanças!

Vamos ver, seu doutor, onde se esconde
O dinheiro do Estado. Explique, onde,
Que há tanto tempo não nos mostra a cara?

Por que, pra caraveles e banquetes,
As notas voam, tais corno foguetes,
E o barnabé do Estado não se ampara?!

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