Antônio Chaves



          É de Teresina. Nasceu a 26 de abril de 1883. Um dos maiores nomes da poesia piauiense, fez aqui mesmo os seus estudos preliminares, ingressando no quadro do funcionalismo público estadual. Poeta, jornalista, membro fundador da Academia Piauiense de Letras. Escreveu para inúmeros jornais e revistas da época. Morreu em Teresina no dia 22 de fevereiro de 1938.

          Obras: Almas Irmãs (de parceria com Zito Baptista e Celso Pinheiro) (1909); Nebulosas (1916).


Mocidade
Descendo o Parnaíba
A Vida


Mocidade

Ó mocidade! - borboleta louca
Que o casulo deixaste pressurosa,
Olha que o vento as asas te destouca,
Adeja menos, borboleta ansiosa.

Temo que as tuas límpidas antenas,
Que o teu corpo fragílimo, subindo,
Um dia venham se cobrir das penas...

E se temo é porque - pálido monge
Sob a cúpula azul do céu aberto
Olho, e te vejo já de mim tão longe,
Tu, que eu julgava inda de mim tão perto.

Volta! vem descansar sobre as alfombras
Desta alma, que sorrir já não se atreve...
Olha que o prado vai se encher de sombras
E a terra toda se cobrir de neve.

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Descendo o Parnaíba

Nas águas, vê que límpidas bonanças...
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.

Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!

Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...

Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!

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A Vida

Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.

A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.

Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito, Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.

Encara a vida come se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.

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